sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Malícia-de-Mulher
Quando me olhas dengoso,
com jeito de quero mais,
me rendo em sua malícia,
feito fera na isca,
que rindo se satisfaz.
Sua malícia me encanta,
como serpente a enfeitiçar,
eu pobre presa calada,
deixo-me ser levada,
sabendo onde vou chegar.
Então mostro cheia de pose,
que minha malícia venceu,
com você quedado em meus braços,
perdido no tempo e espaço,
sem saber se és você ou EU!
Vera Aguia
domingo, 4 de setembro de 2011
Deus torto.
!...
Pedaços de um deus maroto que a lua não alcançou,
cospe fogo de tormento,
cirandeia ao vendaval.
Por não ter seu alazão,
ultrapaça as próprias pernas,
para o inferno caminhar.
Deus faminto,
manco e torto,
não tem paz para sonhar.
É o homem desgraçado,
distraindo sua dor.
Pondo a mão no que não tem,
pervertindo sua pele,
retribui ao desamor.
Filho lícito da desavença,
navegando negro mar,
relatando suas magoas,
com pecados a carimbar.
Pedaços de um deus maroto que a lua não alcançou,
cospe fogo de tormento,
cirandeia ao vendaval.
Por não ter seu alazão,
ultrapaça as próprias pernas,
para o inferno caminhar.
Deus faminto,
manco e torto,
não tem paz para sonhar.
É o homem desgraçado,
distraindo sua dor.
Pondo a mão no que não tem,
pervertindo sua pele,
retribui ao desamor.
Filho lícito da desavença,
navegando negro mar,
relatando suas magoas,
com pecados a carimbar.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
As vezes eu penso!
No que estou pensando?
No que acabo de ler no Face:
dizem que os meninos láaaaaaaaaaaa de cima, aqueles do congresso, caaaaaaaaaaara, não é que os coitados são bonzinhos, vão distribuir, cachimbo para uso do crack, para consciencializar, os usuários, que existe doenças, afinal saúde é coisa séria, gelou!
Lembrei do primeiro arte cidade em São Paulo: a faxina foi geral, grandes bancos patrocinaram, a grandeza saiu das gavete dos altos departamentos, para que tudo fosse perfeito. As ruas principais da cidade foram esvaziadas, despejo total, tudo para debaixo dos senhores tapetes. Como de costume, não seria eu, poeta, almejante por um país de primeira, a ficar de braços cruzados. Fui com meu grupo de estudiosos escritores, ver essa beleza toda, caminhadas longas, mas as ruas limpas, lindas obras, cercavam o trajeto, proporcionando aos visitantes, verdadeiro mundo de sonhos.
Eu como prefiro dormir de olhos abertos, de minha garganta tenho comando. Caminhava perdida no tumulto das lindas ruas, e de repente vi, a maior arte da minha existência. Não é que na pressa toda de mostrar ao mundo o melhor, esqueceram de levar para debaixo do tapete de nossa vergonha, um menino e sua latinha de crack! Mas também, afinal beleza é coisa séria e ele era tão pequenino que só eu vi! Chorei sangue! E poema.
cidadi dadi dadi dadi
cidádi dádi dádi dádi dádi dádi
cidadí dadí dadí dadí dadí dadí dadí dadí
cidaaaaaaaaaaaaaaaadi
rua nua
casa tua
cola
descola
mundo isola.
Vera Aguiar
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Claustrofobo.
Foi precisa a invasão da lucidez!
Para vir à tona a invasão do mal,
sua estúpida faceta moral!
Tal qual a coroa de Cristo feria!
Mas o amor imenso justificava,
cada farpa daquela agonia.
E assim renasceu uma alma!
Em doloroso expelir da essência,
mais verdadeira!
Mesmo que ambígua foi a linguagem,
Da flecha certeira
Vera Aguiar
NO TOM DA DIFERENÇA
Quando não te vejo,
a saudade me assusta,
pois no encontro com o desencanto,
me pego sofrendo tanto,
ai,
esse amor tão caro custa.
Como amante penso então:
para meu doente coração,
a vida é injusta.
Quando te ouço me assusta,
pois tudo em mim dói,
a tua voz ofusca.
Quando te olho me assusta,
pois na menina de teu olhar,
tem um homem querendo me amar.
Quando te amo me assusta,
pois mais distante fica a busca.
Quando minha noite chega,
tua ausência me assusta,
pois meu abraço vazio,
conforta-se no travesseiro,
na minha cama o frio é,
meu fiel parceiro.
E minha alma assustada,
busca a tua para ser amada,
pois no sonho tudo é verdadeiro.
Vera Aguiar
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Trunco mas não Olvido.
País, homens e ideias distintas, em paralelas razões, a visar um único ponto no horizonte de um céu recolhido. Prefiro a fidelidade de Vladimir Maiakóvski, às suas origens experialistas.
O povo tem hoje o que a maioria pediu, esperamos que a varinha de condão, não esteja nos planos deles, pois para um maestro segurar a batuta, tem que, haver, no mínimo a orquestra presente, ainda que, conjunto vazio de um povo, que tenta alcançar a linha que limita, a misericórdia e o motivo para entrar no barco, onde num dois pra cá, um pra lá, ferve os nervos do povo, naquele andar de baixo.
Truncar ideia sim, agora e já, desde que eu não me faça cordeiro nas razões alheias.
E agora Pessoa? O que diz Vinícius “Se amar o perdido deixa confundido o coração”? Quando Drummond pergunta: E agora José, o povo tem na frente o presidente aclamado, fora das gavetas, os sonhos de um país ainda amado. Será que o dia está ganho, vão esperar que, um testa apenas, encare todos os lixos revoltos e limpe as curvas de rio?
Acordem homens! Este ar que bomba em seu peito é seu, sim, assim como a responsabilidade pela invertida que virá!
Sonhos de alguns anos, razão para hoje sonhar com coisas melhores, sem que as coisas do homem, seja motivo de medo ou ira dos inocentes, que ainda cruzam os braços indefesos, esperando que o céu se abra e por um vão qualquer, escorra anjos com sacolinhas de soluções. Das quais o representante é o presidente de um país. Perceba que tem nas mãos a força, busca do sonho, se fincar pés nas questões a serem vistas.
Um homem hoje acordou diferente, sentindo-se, ponto de atração, de todos porem do mundo. Mas, ainda sorri e você que o sentou naquela cadeira, vai trocar em miúdo para contar essa história? Ou prefere dar nas mãos dele, o cálice da vitória de hoje apenas, no qual certamente nos afogaremos, pois o vinho é para poucos, o tombo para todos, nessa guerra de nervos que se apodera do país, temos a maior prova de que, líder, seja qual for, estará na singularidade, nas tempestades, cada um fazer apenas seu, o barco de todos!
Dor de olhos, vazados, manifesto eleições 2003.
Vera Aguiar
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