segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Meu Anjo.

Dentro de mim mora um bicho,
eu o chamo de anjo!
Comigo pega sempre maneiro,
pus-lhe canga para dominar,
dei asas longas,
para não rastejar,
a cauda fiz afiada,
para outros bichos afastar.
Obediente me serve do jeitinho que eu mandar:
anjo quando preciso,
fera se precisar.

Vera Aguiar


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

D vago.

‎!...

Na noite divago.
Tua alma dispersa irradia minha casa,
me flama,
me guia.
Cúmplice lícito do silêncio,
Em flashs de desejo.
Te beijo ausente,
Num instante fugaz refugiada na ilusão,
te vejo meu,
te busco num abraço leve,
te acarinho ( amante ),
rolam tuas mãos (em mim ),
me faz mulher ( amada ).
Amo-te só,
em devaneios,
simulo nós,
te amando entre o sim e o não.

Vera Aguiar


Olhos D+


Teus olhos me buscam.
como um feiticeiro cristal! 
Me prendem!
Sou traída pelas meninas do meu olhar,
que enfurecidas de amor,
como outra,
querem te amar!

vera Aguiar


Chamor

Parecia que o amor me chamava.
Ao passo que eu chegava,
parecia que o amor me dava,
um fruto de bem querer.
 AH!
 Esse fruto de aroma perverso,
deu-me o banquete do desalinho,
servindo-me,
droga-paixão,
num disfarçado cálice de vinho!

Vera Aguiar


Malícia-de-Mulher

Quando me olhas dengoso,
com jeito de quero mais,
me rendo em sua malícia,
feito fera na isca,
que rindo se satisfaz.

Sua malícia me encanta,
como serpente a enfeitiçar,
eu pobre presa calada,
deixo-me ser levada,
sabendo onde vou chegar.

Então mostro cheia de pose,
que minha malícia venceu,
com você quedado em meus braços,
perdido no tempo e espaço,
sem saber se és você ou EU!

Vera Aguia


domingo, 4 de setembro de 2011

Deus torto.

‎!...

Pedaços de um deus maroto que a lua não alcançou,
cospe fogo de tormento,
cirandeia ao vendaval.
Por não ter seu alazão,
ultrapaça as próprias pernas,
para o inferno caminhar.
Deus faminto,
manco e torto,
não tem paz para sonhar.
É o homem desgraçado,
distraindo sua dor.
Pondo a mão no que não tem,
pervertindo sua pele,
retribui ao desamor.
Filho lícito da desavença,
navegando negro mar,
relatando suas magoas,
com pecados a carimbar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

As vezes eu penso!


No que estou pensando?
No que acabo de ler no Face:
dizem que os meninos láaaaaaaaaaaa de cima, aqueles do congresso, caaaaaaaaaaara, não é que os coitados são bonzinhos, vão distribuir, cachimbo para uso do crack, para consciencializar, os usuários, que existe doenças, afinal saúde é coisa séria, gelou!
Lembrei do primeiro arte cidade em São Paulo: a faxina foi geral, grandes bancos patrocinaram, a grandeza saiu das gavete dos altos departamentos, para que tudo fosse perfeito. As ruas principais da cidade foram esvaziadas, despejo total, tudo para debaixo dos senhores tapetes. Como de costume, não seria eu, poeta, almejante por um país de primeira, a ficar de braços cruzados. Fui com meu grupo de estudiosos escritores, ver essa beleza toda, caminhadas longas, mas as ruas limpas, lindas obras, cercavam o trajeto, proporcionando aos visitantes, verdadeiro mundo de sonhos.
Eu como prefiro dormir de olhos abertos, de minha garganta tenho comando. Caminhava perdida no tumulto das lindas ruas, e de repente vi, a maior arte da minha existência. Não é que na pressa toda de mostrar ao mundo o melhor, esqueceram de levar para debaixo do tapete de nossa vergonha, um menino e sua latinha de crack! Mas também, afinal beleza é coisa séria e ele era tão pequenino que só eu vi! Chorei sangue! E poema.

cidadi dadi dadi dadi
cidádi dádi dádi dádi dádi dádi
cidadí dadí dadí dadí dadí dadí dadí dadí
cidaaaaaaaaaaaaaaaadi
rua nua
casa tua
cola
descola
mundo isola.
Vera Aguiar